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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Demissões de terceirizados na Volks exclui o Brasil
Winterkorn disse, segundo a revista semanal alemã "Der Spiegel", que a Volks irá demitir neste ano 16.500 funcionários devido à crise no setor automobilístico. O diretor de Assuntos Corporativos da empresa no Brasil André Senador, explicou que as demissões vão atingir funcionários da produção empregados como terceirizados através de agências.
O diretor informou que não há funcionários no setor de produção da Volks no Brasil empregados sob esse tipo de contrato. Segundo ele, a empresa emprega 1.600 pessoas em regime temporário, e a manutenção desses funcionários em seus postos de trabalho dependerá da situação do mercado automobilístico mundial e dos rumos da economia. A Volks do Brasil não no momento tem planos de nenhuma medida semelhante para funcionários temporários no Brasil, disse Senador.
Winterkorn disse à "Der Spiegel" que a medida "não é agradável", mas que as demissões são "inevitáveis". Agências de notícias informaram mais cedo que a medida poderia incluir o Brasil.
O presidente da companhia disse não haver "nenhum problema" sobre o quadro de funcionários fixos, mas sinalizou que a Volks pode "rever sobre outras coisas" caso a empresa não possa "seguir adiante".
Na Alemanha, a Volkswagen empregava no fim de 2008 cerca de 4.500 temporários. Muitas das demais vagas estão no leste da Europa ou no Brasil. A VW emprega no total aproximadamente 330 mil pessoas no mundo.
As vendas do primeiro construtor automobilístico europeu caíram 15% em janeiro e a Volkswagen prevê ainda um recuo de 10% em 2009. A Volkswagen não exclui a possibilidade de registrar prejuízo no primeiro trimestre em razão da queda dos mercados automobilísticos no mundo.
O presidente da Volkswagen ainda rechaçou que seu concorrente Opel --filial da General Motors na Europa-- receba ajuda estatal, pois considera que o Estado não deve se converter em "uma sociedade de resgate para empresas que possivelmente estão próximas da bancarrota".
Winterkorn admite que é "legítimo" que governo alemão outorgue avais financeiros de forma "pontual" a uma empresa, mas "só durante um tempo de transição". Ele ainda assinalou que não se pode calcular se a Opel está ameaçada pela falta de liquidez, mas afirma que, se a empresa se declarar insolvente, seria algo "lamentável".
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Mitsubishi transferirá ao Brasil parte de sua produção japonesa
Segundo a coluna Dinheiro, da Folha Online:
A fabricante japonesa de veículos Mitsubishi transferirá parte de sua produção ao Brasil para reduzir o impacto do fortalecimento do iene em seus custos de produção, segundo informou o jornal econômico "Nikkei".
O objetivo da Mitsubishi é instalar no Brasil sua base de exportação para toda América Latina, principalmente pelo fato de as exportações brasileiras contarem com tarifas privilegiadas na região graças ao Mercosul e ao pacto comercial brasileiro com o México.
A Mitsubishi planeja transferir no ano fiscal de 2009, que começa em abril, parte de sua produção nacional de veículos à fabricante MMC Automotores, que representa a empresa japonesa no Brasil. A unidade de produção fica na cidade de Catalão (GO).
A fabricante japonesa ainda vai decidir que modelos fabricará no Brasil. O utilitário esportivo Pajero é um dos mais cotados para ser o primeiro candidato. O veículo é um dos mais vendido da marca no mercado brasileiro ao lado da picape L200. Só em janeiro, a Mitsubishi vendeu 2.635 veículos --entre automóveis e comerciais leves.
A companhia planeja ainda aumentar sua produção no Brasil de maneira progressiva, até chegar aos 50 mil veículos anuais, empregando chassi, motores e outras autopeças fabricadas no Japão.
Rali
Em janeiro deste ano, a maior vencedora do rali Dacar anunciou que não vai mais participar de nenhuma competição de rali para cortar seus custos e tentar sobreviver à crise econômica mundial. A Mitsubishi possui 12 títulos nas 30 edições do rali.
"A rápida deterioração da economia global fez com que se tornasse necessário para nossa empresa focar seus recursos de uma maneira mais restrita", informou a empresa em comunicado.
Assim como grande parte das montadoras de automóveis, a Mitsubishi sofreu uma enorme queda em suas vendas nos últimos meses e espera completar o período 2008-2009 (de abril a março) com perdas estimadas em 500 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 1,5 bilhão.
É a primeira vez nos últimos três anos que a fábrica japonesa registra perda anual --a projeção inicial era de que a Mitsubishi fosse lucrar no período.
Universidades privadas perdem alunos e querem apoio do BNDES
Trouxe para vocês uma matéria publicada na Folha, que trata de mais uma forma de utilização da crise para levar vantagem. Agora as faculdades particulares, que não se estruturaram adequadamente e oferecem mais vagas do que é demandada, querem ajuda do BNDES, sob alegação de que a crise e o desemprego afastaram seus alunos. Leiam e comentem...
Levantamento feito pelo Semesp (sindicato das escolas particulares) aponta que 41,5% das universidades privadas de São Paulo terão um volume menor de novos alunos (ingressantes) neste ano em relação ao ano passado, revela reportagem de Fábio Takahashi e Márcio Pinho na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal). Segundo a entidade, a queda é reflexo da crise econômica e do aumento do desemprego.
Especialistas, porém, apontam outros problemas, como má qualidade de cursos e oferta de vagas superior à demanda. "A falta de qualidade em muitas instituições afasta o aluno. Um problema maior é a falta de opções de financiamento para quem tem dificuldade para pagar os estudos. São problemas estruturais. A crise financeira é apenas mais um problema", diz o consultor em ensino superior Carlos Monteiro.
Para tentar atenuar os efeitos da crise, o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular solicitou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) uma linha especial de financiamento, com recursos públicos, para a área.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Governo dos EUA avalia pedir concordata de GM e Chrysler, diz jornal
WASHINGTON, EUA, 23 Fev 2009 (AFP) - Assessores do Tesouro americano estudam com seriedade a possibilidade de inclusão das montadoras General Motors (GM) e Chrysler sob a proteção da lei de falências, informa o "Wall Street Journal".
A medida equivale ao antigo pedido de concordata, quando uma empresa tenta se recuperar antes de falir.
A administração americana considera que a opção de recorrer ao capítulo 11 da lei de falências, que permite a uma empresa em dificuldades reestruturar-se sem a pressão dos credores, "precisa ser seriamente considerada", destaca o jornal financeiro.
"Todas as opções permanecem sobre a mesa", afirmou ao jornal uma pessoa ligada ao caso.
Segundo o WSJ, o Tesouro já iniciou negociações com várias instituições financeiras, entre elas o Citigroup e o JP Morgan, para obter facilidades de crédito, mas os bancos se mostram reticentes.
"Neste cenário, uma parte do financiamento sería utilizada para reembolsar os 17,4 bilhões de dólares emprestados pelo governo desde dezembro a Chrysler e GM", indica o WSJ.
As duas gigantes de Detroit (Michigan) solicitaram na semana passada bilhões de dólares de ajuda pública adicional.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Os obstáculos para Serra chegar lá
Vamos falar um pouco de sucessão presidencial 2010? Vejam este artigo de Kennedy Alencar, publicado na Foçha Online.
da Folha Online
À primeira vista, o governador de São Paulo, José Serra, vive uma situação confortável como potencial candidato à Presidência da República em 2010. Lidera as pesquisas em todos os cenários sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Faz um governo bem avaliado. Tem dinheiro em caixa para investimentos. Possui laços fortes com o grande empresariado --o que é fundamental para o financiamento de campanha.
Mas esse conforto é apenas aparente. Serra anda tenso. Deseja ser ungido logo o candidato do PSDB, mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, não aceita fato consumado e quer uma disputa em prévias pelo país. Se a escolha fosse hoje, Serra venceria. Mas a que custo?
Em 2006, ele ficou com medo de concorrer contra Lula, que já se recuperara do escândalo do mensalão (2005). A divisão do partido pesou e alimentou o temor de disputar. Cedeu a vez para o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A história é conhecida. Lula venceu.
Serra não pode tratorar Aécio. Se o fizer, o governador poderá cruzar os braços no segundo colégio eleitoral do país, a exemplo do que fez em 2002. Principal articulador da candidatura de Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deseja que Aécio apoie logo Serra. E deseja mais: que o mineiro seja candidato a vice-presidente na chapa do colega de São Paulo. Por ora, Aécio resiste.
Serra sofre também embaraços externos. Qual será o seu discurso de campanha? Ele se aproximou do presidente, com quem tem tido boa parceria administrativa. Vai falar mal de Lula em 2010? Poderá ouvir do presidente que até outro dia o tucano frequentava o Palácio do Planalto e o elogiava.
A crítica de Serra à política monetária (juros altos) do Banco Central não é unânime nem no seu partido. Ainda que fosse, renderia votos? O que Serra mudaria na política econômica? Essa mudança teria apelo eleitoral? Há fundadas dúvidas a respeito desta última indagação.
Qual será o discurso na área social? Vai manter o Bolsa Família, mas com melhoras, procurando uma "porta de saída", para usar um chavão? Isso o atual governo já promete que fará. Por que o eleitorado confiaria na oposição para melhorar o Bolsa Família e não em um candidato da situação? Enfim, há um monte de perguntas no meio do caminho de Serra.
Enquanto o PSDB está dividido e não tem um discurso de campanha consistente, Lula usa a crise como oportunidade para lançar medidas que podem render dividendos políticos à sua provável candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Nessa toada, o presidente tem boa chance de viabilizar a vitória de Dilma.
Há ainda a contradição de ser um político com cabeça de centro-esquerda com uma base de centro-direita. O DEM, antigo PFL, é o aliado preferencial do governador paulista. Lula e o PT adoram associar o PSDB ao PFL, numa jogada retórica para dizer que se trataria de uma volta ao passado (governo FHC). Quando Serra atribui alguma manifestação dos movimentos sociais a interesses políticos-eleitorais, faz um discurso conservador. Criminalizar os movimentos sociais não combina com um político de centro-esquerda, mas é música aos ouvidos de políticos de centro-direita.
Outro problema: a administração de Gilberto Kassab começa a patinar. Não se sabe se o prefeito paulistano entregará as principais promessas da campanha municipal de 2008. Serra será cobrado pelo desempenho de seu afilhado político.
Por último, vem o famoso temperamento de Serra. O desejo obsessivo de ser presidente ajuda por um lado, mas atrapalha por outro. Ele tem procurado demonstrar mais jogo de cintura. Melhorou a relação com a imprensa. Aproximou-se de desafetos --integrar Geraldo Alckmin ao secretariado e se aliar a Orestes Quércia são exemplos disso. Mas ainda mantém uma certa tendência autoritária a querer controlar o noticiário, a tentar evitar perguntas embaraçosas, a editar jornais, rádios e TVs.
Não faltam obstáculos para o favorito Serra chegar lá.
Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil
da Folha Online
A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Diversos bancos americanos apresentaram perdas bilionárias, outros chegaram a quebrar. Na Europa também há vítimas.
O Brasil inicialmente não foi atingido em cheio pela crise --os bancos não possuíam papéis ligados às hipotecas de alto risco ("subprime") que originaram os problemas. Mas vários setores sofreram com a contração de crédito e, em seguida, pela queda das exportações e da demanda interna, que foi o "motor" do crescimento do país nos últimos dois anos. O resultado é o avanço do desemprego e a expectativa de desaceleração no crescimento econômico do país, embora espera-se que fique melhor do que o da maioria dos países desenvolvidos e emergentes.
As quebras e os problemas enfrentados por bancos americanos e europeus até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Num mundo de incertezas, o dinheiro para de circular --quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.
Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado esperado é a contração das economias, uma vez que todos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.No Brasil, esse foi o principal efeito da crise quando ela estourou: a dificuldade em se obter dinheiro. Grandes empresas que dependiam de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis. Por consequência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país. E, quando captam no mercado interno, ajudam a reduzir ainda mais a capacidade de empréstimo dos bancos locais a quem já dependia habitualmente deles.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras. Por meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o BC libera aos bancos mais dinheiro para emprestar.
Na esteira da contração do crédito, outra consequência da crise é haver redução no consumo das famílias e do investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos. Eles cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor. Também são afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar.
O próximo passo dos problemas causados pela crise no Brasil é o desemprego. A combinação das reduções do consumo interno, do crédito, das exportações e dos investimentos causa uma diminuição da demanda das empresas, que se veem obrigadas a rever seus quadros de funcionários.
Diversas empresas iniciaram no último bimestre do ano uma onda de férias coletivas e demissões que ainda prosseguem. O mês de dezembro deixou isso claro: segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o mês apresentou redução de 654.946 postos de trabalho --o maior volume para o mês desde 1999, o início da série histórica do dado divulgado pelo Ministério do Trabalho.
Os setores que mais sofrem com a queda da demanda, tanto no Brasil como no resto do mundo, são o automotivo, o imobiliário e o de bens de capital (ligado aos investimentos). Isso ocorre porque vendem produtos que dependem diretamente de financiamento, que está escasso.Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção do setor automotivo, por exemplo, despencou quase 40% em dezembro na comparação com novembro, sendo determinante para que o resultado da indústria em geral naquele mês recuasse 12,4% --o pior resultado da série histórica, iniciada em 1991. Porém, caso a crise se agrave e aumente o número de demissões, os problemas podem se alastrar para outros setores.
O reflexo da crise se espelhará no desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Para 2009, as previsões dos analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central na última pesquisa Focus é de crescimento de 1,8% --abaixo dos 3,2% esperados pelo próprio BC e dos 4% esperados pelo governo federal.
Outro reflexo visível da crise no mundo, e que teve especial repercussão no Brasil, foi a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz os investidores tirarem mais dinheiro.Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender, os preços dos papéis caem e os índices desvalorizam.
A queda no mercado acionário brasileiro é potencializado pela sua concentração em papéis de empresas que produzem commodities --cujos preços no mercado internacional despencaram devido ao esvaziamento feito pelos investidores e pela queda da demanda. Gigantes como a Vale e a Petrobras, por exemplo, respondem por quase metade da movimentação da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e sofreram desvalorizações acima da média do mercado, empurrando o Ibovespa para baixo.
Renault reconvoca metade de trabalhadores afastados
A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que disse ter recebido ontem comunicado da montadora solicitando a reconvocação dos funcionários da unidade de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.
O vice-presidente do sindicato, Cláudio Gramm, afirmou que a recuperação nas vendas no início deste ano foi "decisiva" para garantir o emprego dos trabalhadores.
Ele disse que a mudança de planos da montadora em relação aos trabalhadores foi reflexo das vendas, que cresceram em razão da queda do IPI dos modelos com motores mais potentes e da isenção do tributo nos veículos da faixa 1.0. Segundo a direção do sindicato, pelo menos 420 trabalhadores devem retornar ao trabalho entre os dias 5 e 23 de março para o segundo turno, que vai das 14h40 às 22h40. A reportagem não conseguiu falar com a direção da Renault.
Desde 5 de janeiro, quando a montadora suspendeu cerca de 30% de sua força de trabalho da área de produção, o número médio de veículos produzidos ao dia chegou a 300. Com o novo efetivo, a média de produção deverá subir para 450.
Para o sindicato, a convocação dos demais metalúrgicos que ainda estão com o contrato suspenso deverá ser feita antes do prazo final, em junho. "Pelo menos na Renault, a crise vai se dissipando. A suspensão dos contratos foi uma boa alternativa para preservar empregos", afirmou Gramm.
No dia 5 de janeiro, no retorno do período de férias coletivas das festas de fim de ano, a Renault anunciou a intenção de suspender o contrato de pelo menos mil empregados. A crise internacional foi o motivo, segundo a montadora. Depois, segundo o sindicato, o número de postos de trabalho afetados baixou para 854. Todo esse efetivo está fazendo cursos profissionalizantes remunerados pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e com ajuda de custo complementar pela empresa.
Esta matéria, publicada hoje na Folha de São Paulo deixa clara a situação especulativa da crise no Brasil. A imprensa está fazendo terrorismo informacional e promovendo o pânico, quando a verdade é que o Brasil deve continuar a crescer, principalmente quando os investidores perceberem que estamos preparados para enfrentar a crise e sair por cima.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Vendas do comércio no país sobem 9,1% em 2008,diz IBGE
Em dezembro, no entanto, houve recuo de 0,3%. Foi o terceiro mês seguido de queda (1% em novembro e 1% em outubro).
Em relação a dezembro de 2007, porém, o comércio varejista avançou 3,9%. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na passagem de novembro para dezembro do ano passado, quatro das oito atividades analisadas verificaram queda, como Móveis e eletrodomésticos (-3,7%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,8%). Em sentido inverso, Livros, jornais, revistas e papelaria registraram acréscimo de 1,2% e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação ampliaram-se 11,9%.
Respeitando o comparativo dezembro de 2008 com mesmo mês do exercício antecedente, sete de oito atividades do varejo tiveram volume de vendas maior. A exceção ficou com Tecidos, vestuário e calçados, com baixa de 6,3%.
O comércio varejista ampliado, que inclui o comércio de veículos, motos, partes e peças e material de construção, apresentou elevação de 9,9% no volume de vendas em 2008 em relação ao exercício anterior. Nesse confronto, a receita nominal ampliou-se em 15,1%. Entre novembro e dezembro de 2008, as vendas cederam 1% e a receita nominal teve queda de 0,8%, na série com ajuste sazonal.
Esta matéria publicada pela Folha demonstra que o comércio brasileiro mais sofreu com as especulações que com os resultados oriundos da atual crise. O momento é de oportunidades, mas somente para aqueles que puderem enchergar o real momento econômico do país.
O Brasil possui apenas 200 anos de liberdade política e econômica, mas está dando aula de sobrevivência a nações milenares.
Comentem!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Por que as pessoas seguiriam você?
Danilo Pinto
Por que alguém seguiria você?
Esta foi a pergunta definitiva que o norte-americano Blaine Lee*, referência mundial em gestão do desempenho humano e um dos fundadores da consultoria FranklinCovey Co.,autor do livro "O Princípio do Poder" fez aos líderes quando esteve no Brasil,no final do ano passado. O conselheiro dos grandes nomes do mundo corporativo afirmou que nunca antes os líderes afetaram tanto as pessoas e os resultados das empresas, e que esse não é um processo que acontece só no Brasil, mas em todo mundo. “Hoje vivemos na era do conhecimento, na qual o capital intelectual é fundamental para o sucesso de uma empresa, a forma com que o líder se relaciona com seus subordinados pode fazer toda a diferença”, ressalta Lee, que vai além, chamando a atenção para o quanto a sua conduta como líder pode afetar os resultados da empresa.
E é por este motivo que os líderes precisam repensar a forma como exercem seu papel, afinal não é possível mais apenas mandar e esperar que as pessoas obedeçam. Para Lee, é preciso que as pessoas escolham seguir o líder por convicção, porque confiam nele. Ele afirma que os líderes precisam aprender a exercer um poder baseado em princípios, que é a capacidade de influenciar o comportamento alheio e não de controlar, mudar ou manipular. “O poder é algo que as pessoas sentem em nossa presença, em virtude da pessoa que somos e das coisas que fazemos, daquilo que representamos e de como levamos nossa vida. Quando honramos as pessoas, elas também nos honram”.
Qual o primeiro passo para tornar-se um grande líder?
O primeiro passo para ser um líder é conhecer a si mesmo. “Essa é a chave. Saber suas vulnerabilidades, pontos fortes, em que precisa melhorar. Uma auto-análise mesmo. Só assim, ciente de si, é que a liderança está apta a assumir suas funções”, ensina Lee. Ele afirma que ser líder significa que você se preocupa o suficiente com as pessoas que resolveram te seguir, e que tornar-se um grande líder tem um preço, mas traz muitos benefícios. “A grande liderança é possível e vale a pena”, afirma.
Se o que você pensa, sente e fala são as mesmas coisas, então você é uma pessoa íntegra e, portanto, passa confiança e credibilidade. A integridade não permite mudanças de opiniões repentinas, de acordo com circunstâncias ou conveniências. Lee afirma que os princípios que norteiam sua vida hoje que determinam o mundo no qual você vive. Se você mudar os princípios que norteiam sua vida, mudará o seu mundo. “Se dê permissão para mudar a maneira como você pensa”, aconselha, lembrando que temos de pensar diferente para termos resultados diferentes. “Quando eu vejo as coisas de maneira diferente, eu vou fazer coisas de maneiras diferentes”.
Líderes ajudam as pessoas a fazer as coisas de maneira diferente e insistem no sucesso delas. “Líderes medíocres acreditam que tudo depende deles. Grandes líderes sabem que o sucesso está embutido no sistema”. Lee enfatiza que grandes líderes produzem resultados previsíveis. Tornar-se um grande líder é uma jornada e certamente requer algumas renúncias. Mas para Lee tudo isso é muito simples a partir do momento em que se encara que sacrifício é abrir mão do que você quer agora para o que você mais quer.
Comprometimento com o coração
Lee defende que o amor funciona como força-motriz nas corporações e ressalta que é por meio dele que tudo acontece. “A relação entre líder e liderado precisa de amor”. O amor deve estar presente no dia-dia dos executivos. “É fundamental que um líder tenha conexão com sua equipe, saiba o que ela pensa, gosta e desgosta. Sempre digo isso para meus clientes: não basta levar para o escritório mãos e cabeça. É necessário levar também o coração. O amor é um elemento fundamental do mundo corporativo”.
E os resultados que obtemos como líderes dependem das ferramentas que usamos e das habilidades que temos para utilizá-las. Por isso a importância de aprendermos constantemente novas habilidades e utilizarmos ferramentas de ponta. Afinal, de nada adianta termos grandes pessoas, grande foco, sem grande execução. E o líder é o responsável por isso. O que você poderia fazer com um novo estado de espírito, um novo conjunto de habilidades, e com ferramentas melhores?
Muito importante ainda é lembrar que ao líder cabe o gerenciamento de coisas e a liderança de pessoas. São as pessoas que têm o poder de escolher, e é por isso que o líder precisa aprender a liberar o potencial delas. “Liberar o potencial das pessoas desta era requer liberar o paradigma do controle”, afirma Lee. E isso envolve um trabalho que vai além do corpo: envolve a mente, o coração e o espírito. “O corpo é o nosso viver, o coração é o nosso amar, a mente é o aprender, e o espírito é o seu legado”, ensina Lee.
Para que as pessoas sigam você, acima de tudo é preciso deixar um legado. Portanto, antes de sair exigindo resultados, lembre-se de liderar o talento das pessoas sendo uma fonte de ajuda e garantindo que tenham o que precisam para que você possa mensurar os resultados delas. Mas, e os seus resultados como líder? Deixe que a equipe mensure por você. Afinal, de quem você precisa permissão para se tornar um líder eficaz?
Respostas Definitivas
Blaine Lee contou que muitos líderes perguntam para ele: “Como faço para que meus empregados façam aquilo que quero?”, “Como faço para que meus clientes comprem meus produtos e não da concorrência?”, e afirma que a colocação correta deveria ser: “Estas pessoas têm muitas escolhas, diversas opções... Por quê elas deveriam escolher ouvir você? Por que elas deveriam escolher seguir você?”. Ao mudar a dinâmica, você consegue perceber que ao invés de querer mudar o comportamento das pessoas, chama a atenção para as suas competências e valores, porque são estes que vão definir se as pessoas seguirão ou não você. Tente responder às sete questões a seguir:
1- Onde nós vamos? Você tem que ter competência para mostrar às pessoas qual é o seu objetivo, sua visão e as pessoas poderão escolher se querem ir junto e se querem te ajudar a chegar lá.
2- Por quê? Por que vamos até lá? Você trabalha com adultos e eles querem saber o porquê. Se você souber a razão e concordar, pode colocar suas habilidades a serviço disto.
3- Como nós vamos chegar até lá? O líder e as empresas devem dizer claramente as estratégias.
4- Você já esteve lá antes? Você já fez isso antes? Então qual é a sua credibilidade?
5- Você vem conosco? Você faria a mesma coisa que está pedindo para os liderados fazerem?
6- Como isso me afeta? Que preço tenho que pagar? Preciso aprender uma nova habilidade? Tenho que ir para outro país? Tenho que fazer alguma coisa diferente?
7- Que a diferença que isto fará? Depois que os liderados atingirem a meta, que diferença isto fará para a vida deles, para a empresa, para o mundo, para a comunidade...
Lee afirma que o líder precisar ser capaz de responder a todas estas questões. Se você souber respondê-las, muito provavelmente seus liderados dirão que escolheram seguir você.
Tipos de poder
Depois de muitas pesquisas, que duraram cerca de dez anos, Blaine Lee concluiu que as lideranças podem ser classificadas em quatro categorias: as que não lideram; as que usam a força e coerção; as que utilizam a barganha e oferecem algo em troca para que as coisas aconteçam, e as que respeitam, honram, escutam seus liderados e, principalmente, aprendem com eles.
Como líder, você tem de tomar uma decisão: que tipo de poder você quer usar? O ideal é que os líderes escolham o poder pela honra. “O líder precisa acreditar nas pessoas e respeitá-las. Se você pensar, vai perceber que em sua vida teve alguém que acreditou em você, te encorajou, foi teu confidente, e você vai se lembrar desta pessoa por toda sua vida. É isso que me proponho, transformar a forma com que o poder é exercido”, conclui Lee.
10 Princípios do poder
Blaine Lee ensina que o poder baseado em princípios consiste na capacidade de influenciar o comportamento alheio, e não de controlar, mudar ou manipular. “O poder é algo que as pessoas sentem em nossa presença em virtude da pessoa que somos e das coisas que fazemos, daquilo que representamos e de como levamos nossa vida”, define. Para ele, os líderes precisam vencer a sensação de impotência, criar poder legítimo e influenciar com ética e honra, criando um legado perene na vida das pessoas mais importantes de nossa vida:
1 - Persuasão
2 - Paciência
3 - Gentileza
4 - Capacidade de ensinar – e sobretudo ouvir e aprender
5 - Amabilidade
6 - Saber aceitar
7 - Conhecimento (técnico e sobre sua equipe)
8 - Disciplina
9 - Consistência
10 - Integridade.
Blaine Lee afirma que o princípio básico do poder de um líder é saber influenciar com honra, sobretudo respeitando seus liderados.
Como tornar os líderes mais humanos?
Lee responde explicando que trata-se de um trabalho baseado em quatro áreas, que devem ser as componentes fundamentais dos grandes líderes. E sugere 4 passos a serem seguidos pelos gestores:
1 - Inspire confiança - "O porquê de alguém escolher seguir você” é a pergunta que Blaine Lee sempre faz no seu trabalho de coaching, independente do tamanho ou porte da empresa.
Como inspirar confiança? Colocando o coração à frente da estratégia, foco na nobreza do objetivo, mostrar que podem chegar juntos a algum lugar, e principalmente, deixar a vaidade do lado de fora.
2 - Esclareça propósitos – É preciso saber responder às perguntas: "onde estamos indo?", "por que estamos indo?", "onde isso vai nos levar?", "Qual é a nossa visão? Por que fazemos o que estamos fazendo? Cabe ao líder estar à frente para orientar a direção às pessoas.
3 – Alinhe sistemas – Lee acredita que os sistemas disponíveis para a tomada de decisões e as trocas de informações precisam estar alinhados com a visão da empresa. E deixa a pergunta: "Você tem um sistema para tudo isso?".
4 – Libere o talento – Lee aconselha:"Se você tem as pessoas certas, saia do caminho delas e garanta os recursos para elas trabalharem, assim você não vai precisar controlá-los".
(Texto originalmente publicado na revista Liderança – Fevereiro de 2009 * Blaine Lee faleceu no final do mês de janeiro deste ano, deixando além de seus ensinamentos, muitas saudades!
Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)
Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)
7/7/1897, Vila Bela, atual Serra Talhada (PE)
28/7/1938, Fazenda de Angicos, município de Poço Redondo (SE)
| Reprodução Lampião foi cercado e morto em Angicos (SE) em 28 de julho de 1938 |
Freqüentava as feiras das cidades próximas às terras da família, onde ouvia os violeiros e os poetas de cordel narrarem as aventuras dos cangaceiros, que povoavam o imaginário popular nordestino, sendo simultaneamente heróis e bandidos. Aliás, para as crianças da região brincar de cangaceiro e polícia era uma variante local do atual "mocinho e bandido".
As rixas entre famílias eram freqüentes no sertão, em especial quando envolviam questões acerca dos limites das propriedades e uma dessas rixas envolveu a família de José Ferreira da Silva com seu vizinho José Saturnino. Além de alguns tiroteios, o conflito terminou com a decisão de um coronel local em favor de Saturnino.
Revoltado, Virgulino e dois irmãos teriam se juntado ao bando do cangaceiro Sinhô Pereira, em busca de vingança. Corria o ano de 1920 e - devido a sua capacidade de disparar consecutivamente, iluminando a noite - Virgulino ganhou o apelido de Lampião. Possivelmente em função disso, a polícia cercou o sítio da família e matou seu pai a tiros. Resultado: Lampião e os dois irmãos entraram definitivamente para o cangaço.
Em 1922, Sinhô Pereira deixou o cangaço. Lampião assumiu a liderança do bando que praticou ações de banditismo nos quatro anos seguintes, atuando nos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Em 1926, refugiou-se no Ceará e recebeu uma intimação do padre Cícero. Compareceu a sua presença, recebeu um sermão por seus crimes e ainda a proposta de combater a Coluna Prestes que, naquela época, se encontrava pelo Nordeste.
Em troca, Lampião receberia anistia e a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, como se chamavam as tropas recrutadas para combater os revolucionários. O capitão Virgulino e seu bando partiram à caça de Prestes, mas ao chegar a Pernambuco, foi perseguido pela polícia e descobriu que nem a anistia nem a patente tinham valor oficial. Voltou, então, ao banditismo.
Em 1927, encorajado pela própria fama, tentou invadir uma cidade maior do que as habituais: Mossoró, no Rio Grande do Norte. A população, porém, se uniu e rechaçou os cangaceiros. No ano seguinte, Lampião incluiu a Bahia nos locais onde praticava seus crimes.
Em fins de 1930 ou começo de 1931, escondido na fazenda de um coiteiro - nome dado a quem acolhia os cangaceiros - conheceu Maria Déia Nenén, a mulher de um sapateiro, que se apaixonou por ele e com ele fugiu, ingressando no bando. A mulher de Lampião ficou conhecida como Maria Bonita e, a partir daí, várias outras mulheres se integraram ao bando.
Um pouco pela ambigüidade da vida dos cangaceiros - que às vezes atuavam como justiceiros, auxiliando os pobres, um pouco por contarem com o auxílio de coronéis a quem prestavam serviços, um pouco pela incompetência das autoridades locais, bem como pelo descaso do Governo federal, a vida de crimes do bando de Lampião prosseguiu por mais seis anos.
Afinal, o bando foi cercado na fazenda de Angicos, no atual município de Poço Redondo, em Sergipe, onde estavam acampados. Foram pegos de surpresa e muitos não conseguiram escapar. Entre eles Lampião e Maria Bonita. Os cangaceiros foram decapitados e suas cabeças ficaram expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, até 1968.
Meu comentário:
Segue a biogafia de Lampião, para que possamos alimentar nossos conhecimentos acerca da história política do Nordeste Brasileiro.
Imaginem que as cabeças de Lampião e Maria Bonita ficaram expostas ao público por aproximadamente 30 anos em um museu de Salvador, numa amostra da crueldade utilizada pelo governo para inibir reações populares. Você teria coragem de insurgir contra o governo para ter a sua cabeça exposta em um museu? Então era melhor aceitar calado!
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Entenda a evolução da crise da economia dos EUA
da Folha Online
A economia americana encontra-se em recessão desde dezembro de 2007, segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Em mais de um ano de crise, a economia americana recebeu um pacote de US$ 700 bilhões no ano passado e a atual administração, do presidente Barack Obama, já conseguiu aprovação dos deputados em Washington para mais um, de US$ 819 bilhões. A situação em que o país se encontra, com queda do PIB (Produto Interno Bruto) e números do mercado de trabalho típicos de períodos de recessão, tem suas raízes no mercado imobiliário norte-americano.
| Arte Folha | ||
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Em março de 2001, o Nber avaliou que a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do estouro da bolha das empresas "pontocom". O Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003 (e na qual permaneceu até junho de 2004). Com juros baixos, a economia recebeu o impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de crédito de modo geral. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado.
Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de clientes "subprime" --que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.
Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas instituições compraram esses títulos hipotecários "subprime" e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.
Declínio
Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004, chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da inadimplência.
Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários ""subprime" e os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Derivativos são papéis que tem, seu valor derivado de outros ativos, com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. São instrumentos financeiros considerados de risco, uma vez que a avaliação de seus valores e das consequências de seu uso generalizado é muito complexa em um mercado financeiro cada vez mais globalizado.
Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência nas hipotecas "subprime" aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos, alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas de risco.
Quebras e prejuízos
Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi a mesma de todas as crises que envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM): uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.
Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Desde então, alguns dos principais grupos financeiros não só dos EUA, mas do mundo todo, que já vinham sentindo os abalos da crise, entraram em um ritmo acelerado de perdas.
O Citigroup, uma das instituições mais abaladas, anunciou no último dia 16 uma reestruturação em que irá se dividir em duas unidades --além de prejuízos de US$ 8,29 bilhões no quarto trimestre e de US$ 18,72 bilhões em 2008. O Citi ainda recebeu uma garantia de US$ 301 bilhões para cobrir eventuais perdas acarretadas pela crise.
O Bank of America, no ano passado como um todo, lucrou US$ 4,01 bilhões, valor 73,23% menor que o de 2007; no quarto trimestre, no entanto, o banco teve um prejuízo de US$ 1,79 bilhão. O Wells Fargo, um dos bancos que vinha conseguindo evitar perdas mais graves, teve um prejuízo de US$ 2,83 bilhões no quarto trimestre de 2008 --resultado que, segundo o banco, se deveu aos custos referentes à compra do rival Wachovia.
Consequências
A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia, como reconheceu a chefe do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, na sexta-feira (30) --dia em que o Departamento do Comércio informou que o PIB americano caiu 3,8% no trimestre passado. Foi o pior desempenho trimestral desde o período de janeiro a março de 1982, quando a economia caiu mais de 6% --á época, como agora, o país estava em uma recessão.
A crise, e o risco para o sistema bancário que ela representava, levou o governo americano a propor um pacote de US$ 700 bilhões --aprovado em outubro do ano passado. O pacote iria ajudar os bancos com balanços comprometidos pelo peso dos derivativos lastreados nas hipotecas "subprime", mas acabou tendo seu alcance ampliado para ajudar bancos mais saudáveis, empresas mais ligadas ao crédito ao consumidor e até as montadoras do país.
O setor automobilístico vive uma situação problemática que é consequência direta da crise de crédito resultante dos problemas com hipotecas "subprime". A General Motors e a Chrysler, com quedas nas vendas devido às dificuldades dos compradores em obter financiamento, precisaram de ajuda do governo para fechar suas contas --a ajuda veio na forma de um pacote de pouco mais de US$ 17 bilhões, com recursos do pacote de outubro.
O mercado de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou 2008 em 7,2%, pior nível desde 1993. O número de desempregados no país no ano passado chegou a 2,6 milhões, maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
O novo pacote, de US$ 819 bilhões, será usado, segundo o presidente Obama, para obras de infraestrutura e geração de cerca de três milhões de empregos, entre outras coisas. Ele disse que a recuperação da economia do país "levará anos, e não meses".
O Fed, por sua vez, prevê que "uma recuperação gradual na atividade econômica deve começar mais à frente neste ano, mas os riscos de baixa para esse cenário são significativos".
Façam seus comentários!
Forte abraço!!!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Endividamento e Crise
Para completar, os Estados Unidos entraram numa guerra milionária na tentativa de reaquecer seu mercado bélico e garatir abastecimento de petróleo, usando o pano de fundo de encontrar armas de destruição em massa, que sabemos, o Iraque não tinha condições financeiras de produzir, principalmente pelas sanções impostas pelo próprio governo americano.
A soma destes e de outros fatores conduziram o mundo a este quadro assutador que vislumbramos, provocando destruição, medo, miséria, fome, ódio e por fim, a atual crise.
A pergunta que se deve fazer agora é: Qual o próximo fator de agravamento deste colápso financeiro? O governo americano está fazendo a única coisa que lhe resta, financiar a recuperação antes que o capitalismo sucumba e entremos numa era de liberalismo e extremismo que pode ser tão perigosa quanto a crise.
Continuo me perguntando: Quem vai pagar pelo pacote bilionário do Barack Obama? O Tesouro Nacional Americano sofreu diversas baixas desde a guerra do Iraque e mais esta retirada pode comprometer a sustentabilidade financeira do governo e do próprio Estado Americano. Será necessário no entanto a emissão de títulos públicos, aumentando o endividamento dos Estados Unidos e aprofundando a crise a longo prazo. A próxima "bolha" deverá ser, exatamente, os títulos da dívida do governo americano.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Educação e Carreira
A proposta de hoje é discutirmos a importância da educação continuada para o desenvolvimento da carreira profissional.
O mercado oferece uma infinidade de opções de cursos de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, mba e afins. Qual a importância de investir em tantos cursos para o desenvolvimento da carreira profissional?
As empresas em geral estão cada dia mais exigentes quanto à qualificação de seus colaboradores e está cada vez mais dificil atingir as camadas superiores da administração. Segundo dados estatísticos, a remuneração de um profissional pós-graduado é em torno de 60% maior em relação a um graduado e a cada novo título o valor de mercado do profissional aumenta. Mas qual será a melhor estratégia?
Para responder a estas e muitas outras perguntas sobre desenvolvimento profissional, é necessario consultar o nosso plano de carreira. Ter um bom plano de carreira é essencial para que saibamos dar os passos certos e tirar o melhor proveito dos investimentos que fazemos em nós mesmos. De nada adianta investir em diversos cursos, se estes não se aplicam à sua área de atuação, terá sido capital e temo desperdiçados. Por outro lado, quando planejamos adequadamente cada passo de nossa carreira, escolhemos os cursos certos e turbinamos o nosso curriculo, tanto do ponto de vista de quem contrata, quanto do de quem promove.
Mas não basta fazer um monte de cursos, é necessario colocar em prática o que se aprende e apresentar resultados práticos. É através dos resultados que vamos melhorar a nossa visibilidade neste concorrido mercado.
Esta é a minha opnião. Agora quero saber a de vocês. Comentem à vontade!
Boas vindas
Aproveitei este primeiro post para dar as boas vindas a todos. A nossa intenção com este blog é oferecer um espaço democrático no qual possamos discutir diversos assuntos relacionados com carreira, gestão, economia, mercado, negócios, etc.
Conto com a participação de todos para que o nosso blog tenha a utilidade a que se propõe, gerando conhecimento, cultura e lazer.

