sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Terror em Salvador

Primeira capital do Brasil, um dos principais destinos turísticos deste país e da América Latina, terra de um povo alegre e carismático. Este deveria ser um belo lugar para viver bem, mas diante das atividades terroristas a que nos vemos obrigados a vivenciar desde o dia sete de setembro último, a famosa Salvador mais parece um espelho da Faixa de Gasa, com incendiários às voltas dispostos a tudo para impor suas vontades e defender seus interesses. Diante desta constatação, deveremos questionar os verdadeiros valores desta sociedade cujos jovens são selecionados e contratados para o crime com idades cada vez menores. Qual o papel do cidadão comum neste capítulo negro da história da velha Salvador?

Pois bem! Se formos abordar todos os fatores que interligados contribuem para este cenário bélico e tornam os cidadãos baianos reféns de sua própria realidade, teriamos que escrever um livro e não um artigo. Assim sendo, conclamo os amigos leitores a discutir sobre os fatores principais que contribuem para esta falência social e, obviamente, apresentar propostas de soluções para devolver aos baianos o direito à liberdade e à paz.

Ouvimos muita gente atirando pedras no Governo ou defendendo o mesmo. Será que realmente a responsabilidade está totalmente nas mãos dos governantes? O que nós fizemos para contribir com esta situação ou para evitá-la? Qual a nossa responsabilidade no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e ordeira? Caros amigos, o tráfico só existe porque têm a quem vender seus produtos, caso contrário, qual a razão de existir de um vendedor sem compradores? Esta constatação nos leva a enfrentar uma outra realidade: Apesar de sustentada por grande parte da sociedade, que o problema está na má distribuição de renda, que leva os menos favorecidos a entrar para o mundo do crime, quem alimenta esta indústria cruel é a menos parcela da população, que possui recursos para consumir drogas, seja por diversão, para fugir de seus traumas ou mesmo por necessidade de demonstrar uma força, que verdadeiramente não possue.

Toda vez que uma dose de cocaína é vendida, o tráfico está recebendo recursos para a aquisição de armas e o financiamento deste tipo de ações que assistimos, não em filmes americanos, mas nas nossas ruas. Não basta prender os "soldados" do crime, porque estes são descartáveis. Quando um é preso ou morto, aciona-se a enorme fila de interessados em uma grana fácil (apesar de perigosa). Ai sim entra o papel do jovem pobre, que para alimentar seu próprio vício, ou mesmo para levar comida para casa, aceita vender droga e defender os interesses dos barões do tráfico, que sequer aparecem.

Além disso, o silêncio assustado da sociedade, que se cala diante do crime, por medo de represalias serve como proteção. A polícia possue diversos meios de comunicação que podem e devem ser usados para denúncias, nas quais nem mesmo é necesário identificar-se. Basta ter o cuidado de usar um telefone em local seguro e dizer o que sabe. Os detetives farão o resto.

Outra ação que cabe ao cidadão comum e que poucos se dão ao trabalho de executar é escolher bem seus representantes. Quem de vocês se deu ao trabalho de em algum momento saber o que o deputado que recebeu seu voto está fazendo em seu nome? Pior que isso, quantos de vocês se preocuparam em investigar o passado dos candidatos que bateram à sua porta pedindo votos? A responsabilidade é do povo, já que numa República Democrática o poder emana do povo e não do soberano. Tivemos força para derrubar o Collor quando entendemos que ele não atendia aos nossos interesses, porque agora não nos mobilizamos para tomar as rédeas das nossas vidas, com o mesmo afinco que empregamos nas "Diretas Já" e no "Movimento dos Caras Pintadas"? Onde está a coragem do povo, que se acovarda dentro de suas casas, permitindo que uma minoria perversa tome conta de tudo? A responsabilidade pela mobilização é de todos nós e não cabe aqui colocar a culpa no governo.

Também não estou aqui para defender o Governo, que tinha a obrigação de investir os recursos orçados para a segurança pública de modo organizado e objetivo. Nada justifica que mais da metade dos recursos orçados para segurança pública nos últimos três anos (segundo documentos do governo, citados esta manhã pelo Ministro Gedel Vieira Lima na Rádio Metrópole), tenham sido devolvidos ao Tesouro Estadual, quando policiais estão nas ruas sem o mínimo de equipamentos para exercer suas funções. Além disso, não acredito que seja prudente o Governo esperar a situação piorar e os prejuísos se acumularem para decidir se convoca reforços federais para ajudar a proteger a sociedade. A Força de Segurança Nacional serve exatamente para conter ondas de violência e roteger a ordem social. Nada mais justo que cumprirem o seu papel e honrarem os honorários custeados com verba pública.

Por fim, precisamos aprender a encarar bandido como bandido e não como vítima do sistema. Eu conheço uma enorme quantidade de gente pobre, que passa necessidade, mas não rouba, mata nem trafica. Uma coisa é ser pobre, outra é não ter vergonha na cara! Não podemos adimitir que se coloque a máscara de pobre coitado em bandidos que continuamente afrontam a sociedade. Temos que lembrar que Direios Humanos nada mais são que ordenamentos jurídicos desenvolvidos para defender as pessoas e que o direito de um acaba quando começa o direito do outro. Não é justo nem adimissível, que a maioria da sociedade seja obrigada a viver escondida, para que marginais possam gzar os seus direitos. Onde estão os verdadeiros merecedores destes ditos direitos? Porque que bandido não pode ficar mais de 30 anos na cadeia e nós, cidadãos honestos somos obrigados a viver em cárcere privado por toda a vida?

Mobilização popular, ação governamental, seriedade no uso da coisa pública são, ao meu ver, as bases para mudanças necessárias para uma sociedade mais justa e ordeira. Vamos tratar bandido como bandido!