quarta-feira, 25 de março de 2009

BB levantará até R$ 1 bi para comprar empresas

Banco estatal fará parceria com o Carlyle, um dos maiores fundos de private equity do mundo
Por Tiago Lethbridge | 24.03.2009 | 08h35
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O Banco do Brasil assinará nos próximos dias uma parceria com o Carlyle, um dos maiores fundos de private equity do mundo. Segundo EXAME apurou, o anúncio do acordo deve ser feito na semana que vem. Pelos termos da parceria, o BB levantará de 500 milhões a um bilhão de reais com grandes investidores nacionais, como fundos de pensão. O dinheiro será usado para comprar empresas brasileiras, e o próprio BB investirá uma quantia ainda não definida. A gestão do fundo, no entanto, caberá ao Carlyle.

O objetivo do banco estatal é impulsionar a internacionalização de empresas brasileiras. O Caryle foi escolhido porque é, entre os grandes fundos de private equity do mundo, aquele que tem presença num número maior de mercados. Rivais como KKR e Blackstone concentram suas atividades nos Estados Unidos. O Carlyle tem escritórios em 21 países, e é o único presente no Brasil.

O BB participará das decisões de investimento, mas a gestão do fundo caberá à equipe do Carlyle no Brasil. Além do dinheiro que virá do BB, o Carlyle vem levantando seu primeiro fundo dedicado a aquisições de empresas brasileiras. Para o fundo americano, porém, o aporte do BB não poderia vir em melhor hora – em meio à crise financeira internacional, poucos investidores têm se mostrado dispostos a aplicar em fundos de private equity.

Procurado, o Banco do Brasil informou que não se pronunciará a respeito da notícia. Um porta-voz do Carlyle nos Estados Unidos não quis comentar.

sábado, 21 de março de 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

IGREJA CATÓLICA, UMA APOLOGIA AO CAOS.

Danilo Silva Pinto

danilopinto_adm@hotmail.com

Em mais de dois mil anos de história, o cristianismo tem na Igreja Católica sua principal representação. Formado a partir de uma base sólida e conservadora, o Vaticano, sede do catolicismo, conseguiu sobreviver às mais diversas mudanças sociais e econômicas, sempre garantindo a manutenção do seu poderio, seja através da fé ou pela influência que exerce sobre a gigantesca parcela da população do mundo ocidental, que segue os seus ensinamentos. Para se manter no topo durante dois milênios, esta entidade fez uso de diversos recursos, desde os mais humanos e carismáticos até os mais sórdidos e condenáveis. Pretendemos neste artigo esclarecer pontos obscuros desta entidade, no que se refere à sua postura diante das principais frentes de luta da atualidade: sexo, aborto e pedofilia.

Quem acompanhou o noticiário neste início de século pôde ver a igreja pedir desculpas por atrocidades cometidas em nome de Deus, como a Santa Inquisição. Tal postura dá a impressão de que o Vaticano poderia estar se alinhando com as mudanças sociais e buscando uma aproximação com a realidade em que vive a humanidade contemporânea. Mas a verdade é que o mar de lama que sacode o vaticano continua a ser alimentado por uma postura conservadora e deplorável, na qual, para manter o seu poder, expõe seus fieis às mais diversas situações de risco e miséria.

A mais recente polêmica envolvendo a Igreja, o episódio do estupro de uma criança no interior de Pernambuco, que grávida de gêmeos e sem estrutura fisiológica para suportar uma gestação, foi submetida a um aborto, com a conseqüente excomunhão[1] de todos os envolvidos, com exceção do estuprador, cujo crime, segundo a mesma igreja não seria grave.

Para entendermos melhor a situação, vale lembrar que a garota de apenas nove anos de idade, não apresentava, segundo avaliações médicas, condições de sobreviver a uma gestação, primeiro porque não possui ainda o amadurecimento necessário de seu organismo, segundo, porque a dimensão reduzida de seu útero infantil colocava em risco eminente a sua vida e a dos bebês. A justiça, seguindo as recomendações médicas e apesar da intervenção da igreja, que condenou a iniciativa do aborto, autorizou o procedimento, como meio para preservar a vida da criança. A polêmica envolvendo o aborto, considerado com propriedade um crime contra a vida, está longe de ser resolvida, mas trata-se da vida de uma criança em relação a uma gestação, que potencialmente levaria à morte de mãe e filhos. Desta forma, a opção foi salvar a vida de uma inocente, já que os bebês praticamente não teriam condições adequadas à sua formação e tendiam a morrer junto com sua mãe.

Causa indignação e revolta a atitude da Igreja Católica local, endossada pelo Vaticano, de excomungar a mãe e os médicos envolvidos no aborto e ainda declarar que perdoa o estuprador, principal responsável por todo este drama ao se aproveitar da inocência de uma criança e praticar um crime deplorável como a exploração sexual de crianças. A postura eclesiástica reforça a tese de que, para garantir o seu poderio, o Vaticano é capaz de qualquer coisa, inclusive de condenar uma criança inocente à morte.

Uma reportagem veiculada hoje (08/03/2009) na Rede Record, apresentou mais um caso grave de pedofilia na cidade de Catanduva/SP, onde pelo menos 38 crianças teriam sido vítimas de exploração sexual. Entre os envolvidos estão, dentre outros, um médico especializado em endocrinologia infantil e o Padre Jeová, representante do Vaticano na cidade. Este último é acusado de promover festas em sua casa, na qual se praticavam pedofilia, com o agravante do uso de bebidas alcoólicas. Esta revelação aumenta a sensação de descaso das autoridades católicas em relação à sociedade, no que diz respeito à conduta dos representantes desta ordem religiosa, que a cada dia que passa se vê mais e mais afundada em denúncias de envolvimento de padres com crimes de exploração sexual de criança e adolescentes. A Igreja Católica perdeu uma enorme oportunidade de se solidarizar com a sociedade, que estarrecida assistiu à declaração papal de apoio a um Bispo que afirma ser de baixa importância a pedofilia e o estupro. Imaginemos o caos que poderá ser gerado, quando a igreja que orienta os costumes de grande parte da humanidade, afirma que o estupro é um crime sem importância, merecedor de perdão. Queira Deus, não tenhamos um significativo aumento nas estatísticas de casos de abuso sexual, alimentada pela clemência do Papa. É uma verdadeira apologia ao crime!

Como se não bastasse, a polêmica criada com o caso da excomunhão em Pernambuco - que envolveu diversos seguimentos da sociedade, inclusive o Presidente da República, Luis Inácio Lima da Silva, que declarou, na condição de católico, não concordar com a postura adotada pela igreja - reacendeu outras questões, como a proibição dos métodos contraceptivos pela mesma igreja. O Vaticano em sua sede de poder e na busca insana pela manutenção dos seus dogmas, principal meio de controle sobre a fé cristã e conseqüente dominação religiosa, coloca em risco a sociedade, ao condenar o uso do preservativo (camisinha), como meio de evitar a gravidez indesejada e a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. É lastimável que uma instituição com tamanho conhecimento técnico-científico possa defender uma bandeira tão mesquinha e perigosa, agravando a situação de risco social, tanto do ponto de vista da saúde, quanto econômico.

Além de considerar pecado o uso de preservativo, o Vaticano ainda deturpa informações científicas, pregando que a camisinha é ineficaz na prevenção da AIDS por conter poros que possibilitam a passagem do HIV, expondo os fieis aos riscos extremos que esta síndrome representa, além de defender que o uso de métodos contraceptivos promove o “afastamento e amor e reprodução”, o que seria pecado. Em países africanos com maioria da população católica, é crescente o número de infectados pelo HIV, além do crescimento sem precedentes da natalidade, piorando as condições de vida já precárias em que vivem os habitantes destas regiões.

Já não bastasse a quantidade de escândalos envolvendo a Igreja Católica e o mar de corrupção, crueldades, e demais atrocidades que cometeu ao longo de dois milênios, esta entidade resolveu promover a tolerância a crimes contra a honra e contra incapazes. Diante de tamanho envolvimento de seus representantes em crimes de pedofilia, não é de se admirar que o Papa considere sem importância a prática do estupro, principalmente de crianças e adolescentes. Seria confessar a culpa do Vaticano, como mantenedor de diversos centros de pedofilia espalhados pelo mundo e alimentados pelo “dízimo”[2] dos seus fieis. É a Igreja Católica Apostólica Romana, incentivando o crime e se justificando na tese de que, um dos crimes mais comuns em sua própria casa, não apresenta importância perante a religião e a sociedade. Uma verdadeira apologia ao caos!



[1] A excomunhão proíbe os fieis de freqüentar missas e receber as bênçãos da Igreja Católica. Além do aspecto religioso, existe também o fator social, uma vez que a pessoa excomungada poderá sofrer diversos tipos de preconceitos e perseguições, em uma sociedade eminentemente católica.

[2] A Igreja Católica eliminou a expressão dízimo de seus mandamentos, para distanciar o que chamam de contribuição voluntária da função de taxa, que esta expressão pode representar.