sexta-feira, 11 de março de 2011

Fim do Interesse pela Carreira Internacional

Carreira internacional já era
Com o menor interesse dos jovens por carreira no exterior, multinacionais carregam em argumentos para recrutar expatriados

GABRIEL PENNA (undefined) 09/09/2009
Crédito: Cláudio Rossi
Karen Ramirez, 33 anos, gerente de programas de liderança da GE: ela foi escalada para cuidar da carreira de dez repatriados - Crédito: Cláudio Rossi
Karen Ramirez, 33 anos, gerente de programas de liderança da GE: ela foi escalada para cuidar da carreira de dez repatriados

A GE é uma gigante global, com fábricas e escritórios em mais de 100 países e negócios em setores diversos, como infraestrutura, tecnologia e entretenimento. No Brasil, tem 6 000 funcionários e fatura mais de 3 bilhões de dólares. A empresa americana é reconhecida por formar seus executivos. Um dos principais instrumentos para isso é a possibilidade de assumir funções no exterior. A carreira internacional, porém, não tem gerado entusiasmo em uma parcela do seu pessoal no Brasil. Atualmente, cerca de 40% dos funcionários sondados pela companhia para uma vaga lá fora não querem deixar o país. “Hoje, os jovens conhecem o exterior desde cedo e a tecnologia lhes permite interagir com o mundo”, diz Hector Aguilar, diretor de recursos humanos da GE para América Latina. “Temos que nos esforçar mais para aceitarem uma expatriação.” A GE precisa desse tipo de movimentação para desenvolver profi ssionais, promover a troca de conhecimento e, obviamente, encontrar executivos cujas habilidades coincidam com as necessidades das vagas.

A quem topa ir a companhia oferece desde subsídio à moradia e escola para fi lhos até carro particular (com motorista, para nível de diretoria), compensação salarial de 10% a 40%, cursos de idioma e integração cultural (extensivos à família). Para o cônjuge, a GE ampliou o apoio à recolocação, agora com a possibilidade de contratação pela própria companhia. “As empresas têm que lidar com a dupla carreira, do marido e da mulher, e isso pode frear o processo“, diz Betânia Tanure, professora da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte. A solução para o dilema também pode ser, simplesmente, aceitar a nova realidade. Nos últimos anos, a GE vem redesenhando seus planos de carreira para que os profi ssionais evo luam na companhia sem deixar o país. Por outro lado, a expansão e a diversifi cação dos negócios da GE no Brasil, que cresceram 45% no ano passado, também ajudam na retenção. “A ampliação das operações no país dá condições de desenvolvimento e crescimento aos talentos que não querem sair”, diz Hector. Um exemplo é a construção da primeira fábrica brasileira da divisão de saúde, em Contagem, Minas Gerais, que deve fi car pronta em 2010.

RETORNO MAIS RÁPIDO

O menor interesse em trabalhar no exterior não é uma exclusividade dos funcionários da GE. Uma pesquisa da Companhia de Talentos, consultoria de São Paulo, mostra que, entre 2003 e 2009, o item carreira internacional caiu do segundo para o nono lugar entre as prioridades dos jovens ao escolher um emprego. A Procter&Gamble, multinacional do setor de consumo, chegou a perder talentos da Geração Y antes de perceber essa mudança. Em 2008, a empresa fez uma pesquisa com universitários no país e descobriu que metade deles não queria fazer carreira no exterior — um dos principais atrativos da companhia.

A Procter redirecionou seu processo de recrutamento e criou um programa de mentores para a nova geração. Como muitas multinacionais ainda contam com expatriados para arejar a gestão de suas subsidiárias, são necessárias outras saídas para enfrentar essa resistência. Por exemplo, diminuir o período de permanência no exterior. Alguns programas que antes duravam entre quatro e cinco anos foram reduzidos à metade. “Os profi ssionais jovens, hoje, esperam movimentos mais rápidos na carreira”, diz Iaci Rios, consultora da DBM, de São Paulo.

A Unilever, que tem programas de expatriação de dois a três anos, faz uma avaliação anual da carreira dos profi ssionais para defi nir o momento ideal do retorno. “O funcionário é repatriado somente quando há uma oportunidade concreta”, diz Marcelo Williams, vice-presidente de recursos humanos. “Tentamos oferecer desafi os à altura da bagagem acumulada por eles”, diz Karen Ramirez, de 33 anos, gerente de programas de liderança da GE, que faz coach interno para repatriados. A preocupação faz sentido.

Segundo uma pesquisa global da consultoria inglesa Ernst & Young, cerca de 15% dos repatriados pedem demissão com menos de dois anos após a volta. “Muitos fi cam sem lugar na empresa, não recebem promoção ou voltam para as mesmas tarefas”, diz Gustavo Perez, consultor de capital humano da consultoria Ernst & Young, em São Paulo. Na brasileira WEG, fabricante de motores industriais, a repatriação de profi ssionais será um desafi o nos próximos meses. A empresa despacha todo ano cerca de dez profi ssionais e, até janeiro de 2010, receberá cinco deles de volta. “Não damos garantia de promoção, mas quem retorna ganha um importante diferencial para crescer dentro da empresa”, diz Francisco Lux Neto, chefe de remuneração e expatriados da WEG.

Como as empresas enfrentam a resistência à expatriação:
+ Benefícios como moradia, escola, roupas, carro e cursos
+ Apoio à recolocação do cônjuge do expatriado
+ Programas de expatriação mais curtos, de dois a três anos
+ Alternativas de carreira local, em funções técnicas e gerenciais
+ Plano de repatriação e boas chances de crescimento na volta


Transcrição na íntegra da Revista Você SA.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Monstro da Inflação

Durante mais de uma década o Brasil controla artificialmente a inflação. Todo este esforço fez com que muitos brasileiros sequer saibam o que realmente é uma corrida inflacionária, afinal, quem possui menos de 20 anos não acompanhou o infeno econômico que vivemos até início da década de 90.

Pois bem! O "monstro da inflação" está de volta e grande parte da força de trabalho brasileira não sabe como lidar com isso. A economia se aqueceu e saimos às compras. Gostamos disso, de poser comprar sem nos preocupar com a fatura do cartão de crédito, de poder escolher pelo desejo e não ter que sonhar eternamente com aquele objeto desejado. O problema é que o superaquecimento do mercado traz de volta inimigos vorazes, capazes de colocar por terra todo o esforço de tantos anos. Quem viveu aqueles tempos, com certeza está preocupado com o futuro, mas nos acostumamos a comprar e isso é dificil de mudar.

A tendência de crescimento do país exige de todos nós uma mudança de comportamento. Precisamos aprender a dizer não às tentações e escolher opções mais econômicas e ajudemos a frear o consumismo e os preços. Se mantivermos esta postura, seremos novamente, engolidos pela inflação.

O corte de orçamento do Governo nada mais é que uma necessidade de frear a economia. Como o brasileiro não esta acostumado a ter dinheiro no bolso e acaba commprando tudo que vê, então a solução é retirar a verba do mercado e mais uma vez, desacelerar a inflação artificialmente.

Precisamos de políticas educacionais voltadas para a contenção do consumo e consientização do cidadão, para a importância que ele tem no mercado mundial. Espero que o Brasil saiba lidar com esta pressão e que isso tudo não passe de mais um susto.

7ª Economia Mundial

O Brasil acaba de alcançar a marca de 7ª Economia mundial. Ao mesmo tempo em que estamos de parabéns, ganhamos um enorme desafio. O Brasil precisa estar preparado para crescer a taxas tão expressivas e a nossa indústria de transformação, principalmente de tecnologia possui um papel crucial neste processo.

Durante as últimas décadas os EUA controlaram o mercado mundial apesar de terem uma moeda forte. Apesar de "mais caros" os produtos americanos gozavam de prestígo e respeito no mercado mundial e o consumidor internacional acabava aceitando pagar o preço, seja pelo status de estar usando aquela marca ou pelo reconheciment da excelência em qualidade dos mesmos. Na última década o Brasil mantém a cotação do Dólar artificialmente e a pressão do mercado pela valorização do Real frente à moeda americana está se tornando insuportável. O Real mais caro dificulta as importações e prejudica o crescimento industrial e o agronegócio, portanto temos o desafio de superar este obstáculo.

A indústria brasileira, principalmente a de tecnologia, precisa elevar seu padrão de qualidade de modo a justificar os altos preços que terão de ser praticados caso o Dólar desvalorize mais. Precisaremos competir com mercados produtores de alto potencial, como a China, que apesar de não possuir excelência em qualidade, possui os menores custos de produção do mundo e dominam o "diferencial preço". O Brasil precisa encontrar o seu diferencial competitivo e acredito que, em razão da dificuldade cambial, nossa meta é qualidade e superação em aceitação de marcas nacionais. Precisamos criar o conceito de excelência do produt brasileiro e torná-lo desejado, mesmo que custando mais caro. O exêmplo americano nos mostra o caminho, cabe-nos seguir por ele, sem contudo, cometer os erros de estratégia política cometidos pelos nossos EUA.

Façamos então o dever de casa e preparemo-nos para fazer a diferença e brigar pelo topo. O Brasil é maior que a soma de todos os brasileiros e o esforço coletivo há de fazer a diferença!