Este ano foi recheado de surpresas na Fórmula 1: Foi piloto retardatário disputando título; equipe iniciante dominando o campeonato desde o início; descoberta de fraudes; ameaça de boicote... enfim, um ano atípico, que devolveu o caráter de centro das atenções para a categoria. No entanto, alguns aspectos merecem reflexões mais profundas:
O que levou uma equipe iniciante, sem patrocínio, que aproveitou pilotos até então descartados pelas rivais, e que até semanas antes do início da temporada, sequer estava confirmada nas pistas, a conquistar a dobradinha no campeonato?
O caso da BrawnGP é um exêmplo de que qualquer empresa séria e bem gerenciada é capaz de dominar um setor do mercado. Tudo depende do time que se consegue montar e do esforço coletivo da equipe.
O Ross Brawn dispensa comentários. Trata-se de uma capacidade gestora acima da média e de um líder ímpar. Em toda a sua trajetória na F1 esteve sempre em evidência, graças ao excelente trabalho que realizou;
O Button, merece parabéns. Um grande piloto, que soube aproveitar o bom momento do carro e construir uma vantágem que lhe garantiu o título, mesmo perdendo competitividade no final;
Já a BrawnGP, espólio da antiga Honda, mesmo sem patrocínio, desenvolveu um carro espetacular e contra todas as espectativas, causou espanto no circo ao conquistar a dobradinha já na primeira prova de sua história e seguir imbatível até o fim do campeonato, deixando as gigantes a comer poeira. Uma equipe exemplar, liderada por um grande estrategista, experiente e competente, que soube aproveitar e muito bem, os poucos recursos de que dispunha, para escrever seu nome na história da F1;
Por último, e nem por isso menos importante, resta falar de Rubens Barrichello. Rubinho deu a todos nós uma aula de autoconfiança, força de vontade e perceverança. Parecia acabado, sem carro e sem perspectiva de nova oportunidade, desacreditado, e sem apoio algum, tanto da imprensa quanto dos seus pares. Com muita determinação, defendeu seu espaço, e realizou a melhor temporada de sua carreira, merecendo inclusive o título mundial, que só não veio por conta do trabalho bem feito de Button na primeira metade da temporada. Rubinho, na minha opnião, é o grande vencedor desta temporada. Levemos em consideração as suas reais possibilidades de estar no grupo e imaginemos que ele conseguiu ser o segundo melhor piloto do campeonato, mais uma vez reforçando seu status de grande piloto em situações adversas.
Fica a todos nós a lição: Construir um time campeão é muito mais que possuir os melhores recursos e contratar os melhores jogadores. É saber identificar os jogadores mais bem entrosados com os objetivos da equipe, investir em confiança e motivação e oferecer terreno fértil para a produção de resultados. Não basta ser o melhor líder, é preciso estar á frente da equipe mais completa. Não basta ter a melhor equipe, é necessário saber conduzir suas ações e orientá-la para os objetivos, tornando-a obsecada pela vitória.
No "Campeonato Mundial de Negócios" vale o mesmo. É preciso identificar, não os melhores profissionais, mas sim os mais bem alinhados com os objetivos da organização; desenvolver a estratégia mais eficaz dentro das possibilidades do time, definir prioridades e coordenar esforços, de modo a melhor aproveitar os recursos disponíveis e transformar sonhos em realidade. Sonho que se sonha sozinho é somente sonho... sonho que se compartilha é projeto!
Parabéns à equipe BrawnGP, Jenson Button e a Rubens Barrichello!
Nenhum comentário:
Postar um comentário